segunda-feira, dezembro 13

Por que sou uma garota

Quando eu te vi
Você mexeu comigo
Seus olhos ternos
Seu sorriso aberto
Eu não sabia que ia te amar
Eu só sabia que eu era bem vinda

Você foi minha primeira amiga
A melhor que eu tive também
Sempre juntas em todos os momentos
Difíceis, alegres, tristes, engraçados
Em todos você estava ao meu lado
Como uma melhor amiga

Eu ainda não sabia que ia te amar
Mas sentimentos de garota não são previsíveis
Eu não sabia que não poderia viver longe do seu sorriso
Longe da sua risada meiga,
Das bobagens e coisas de menina
Eu não sabia, mas já começava a te amar

Meus sentimentos tão confusos
Estavam cada vez maiores
Meus medos, minhas dores
Eu era só uma garota
Que não sabia
Não sabia como era amar

O tempo passando e o amor crescendo
Mas não éramos só amigas?
Os garotos vieram, mas eram tão bobos
Preferíamos ficar juntas, como amigas
Juntas nas escola, juntas no fim de semana,
Sempre juntas

Na minha casa ou na sua
Éramos melhores amigas
Amizade de garotas
Mas naquela noite eu soube
Eu soube que te amava
E em um momento de loucura

Aconteceu
Um beijo
Um beijo entre garotas
Não entre as amigas
Não entre as meninas
Um beijo entre garotas

Agora eu sei que o que é o amor
Agora eu sei que eu te amo
Meus sentimentos ainda confusos
Minha cabeça ainda cheia de problemas
Mas vou lidar com isso, afinal eu te amo
E no final tudo vai ficar bem, porque somos garotas

sexta-feira, dezembro 10

O Lamento da Sereia

O sol da superfície já não me aquece mais
As coisas de antes já não me distraem
Nada mais já importa
Nada importa sem meu amor

Meu herói, meu salvador
Punido pelo meu pecado
Agora paga por meu erro
Paga pelo meu engano

Minha inocência junto de minha arrogância
Minha ira junto de minha esperança
Isso me levou ao engano
Meu levou ao enganador

Enganador aquele que me tiraria de mim
Que me tomaria a liberdade, minha alma
Em troca de uma vida na superfície
De uma falsa e miserável superfície

Mas meu herói me salvou
No momento que percebi o engano
Foi ele quem me salvou
A custo do sangue da superfície

O sangue nas mãos do meu amado
Estaria sobre mim
O sangue é o meu pecado
E quem paga é meu amado

Mas meu sofrimento agora não tem fim
O peso que carrego em meus ombros
O peso do oceano de não poder mais
Ser amada pelo meu amado

Meu amado que paga por mim
Injustamente condenado a solidão
Que só tem por mim ódio e desprezo
E não pode mais receber o meu amor

O amor da sereia errante
O amor que carrega a sina de não ser correspondido
O amor manchado pelo pecado do sangue
Pecado de morte, causado pelas mãos do amor

O Lamento do Tritão

Tão frio tão escuro
São as profundezas do oceano
Um lugar que o sol não chega
E a solidão é constante

Um erro
Um momento de fúria
Um pecado
Uma sentença

Excluído do povo
Banido para as trevas
Agonizando em solidão
Até o fim dos dias

O erro foi amar
Amar de mais
O pecado foi o amor
Foi matar por amor

Não me arrependo do que fiz
Não lamento pelo meu amor
Mesmo que tenha que carregar todo o peso dele
O peso de um amor maior que o oceano

O que dilacera meu coração
Não é a dor do castigo
E sim a dor do rejeitado
Afinal, o meu amor não pode me amar

Já não sou bom o bastante
Já não sou mais digno de ser amado
Tudo por causa do meu crime
Do meu crime por amor

quinta-feira, dezembro 9

Servo do Olímpo

Meia noite na floresta os sátiros saem com suas flautas, às ninfas saem de suas casas para dançar na em roda pela clareira. Todos os seres se levantam nesta noite para celebrar a vida!

A primeira noite primaveril! Todos os seres se levantam no meio da noite para cantar e dançar, abençoados por Artemis a clareira se torna uma festa. Nenhum ser fica de fora, de tão grande festa até mesmo os deuses participam.

Afrodite trazendo o amor a todos, Demétrio comandando a festa, até mesmo Zeus dança com as ninfas! Tão bela cena cheia de musica e movimento!

Seria belo se não fosse somente um quadro.

Um quadro pintado por um pintor fraco e raquítico em um estúdio pequeno, abafado e envolto em trevas onde nem sequer uma misera e pequena janela existe. Um lugar aonde a luz do sol jamais chegou, um lugar que jamais inspiraria a tamanha beleza de majestosos jardins e clareiras em festas.

Uma alma atormentada por uma vida miserável e desventurada, um terreno do qual jamais poderia brotar tão belas flores. Uma mente doentia obcecada pela perfeição, mas que sem a inspiração nada mais criaria do que círculos e quadrados perfeitos com pinceladas inumanas.

Naquele quarto escuro eram produzidos os mais belos quadros. Quadros estes que ali permaneceriam até fossem entregues ao seu dono, o dono de toda inspiração, o dono de tudo ali. Aquele que não esta nos quadros, mas que estava em todas as cenas. Aquele que cedeu suas memórias para que aquele pobre pintor as guardasse me tinta.

O nome dele? Você já deve saber. E se não souber pode ir procurá-lo ele vive na outra margem do rio Aqueronte, você pode fazer uma visita e aproveitar para apreciar os quadros daquele pobre pintor.

quarta-feira, dezembro 8

Lilás

O que você vê quando fecha os olhos?
Você pode ver as flores?
O céu púrpura cheio de nuvens doces?

O que você sente quando esta sozinho no escuro?
Pode sentir o cheiro de chuva e o perfume de papel?
Pode sentir a brisa fresca que vem do mar cinza?

O que você ouve quando faz silencio?
Consegue ouvir o canto das fadas?
Pode ouvir a minha voz?

Afinal, para onde você vai?
Quando se desliga do mundo real

terça-feira, dezembro 7

Amor fantasma

Eu não me lembro desde quando, mas estou aqui há muito tempo.

Todos os dias aguardo a sua volta, meu coração se entristece ao te ver sair pelo enorme portão de ferro e todos os dias nesse mesmo horário minhas preces pelo dia seguinte, se iniciam. Não sei por que estou aqui, nem mesmo porque não posso sair. Eu só queira te acompanhar, quem sabe um dia entrar na sua casa!

Mas os grandes portões de ferro estão lá e deles não posso passar, é como uma maldição não poder ficar junto a você por mais tempo, sempre estive tão só.

Quando você não vem meu coração é tomado de desespero, minha alma atormentada por suposições incertas e se dilacera aos poucos enquanto a escuridão me consome. Os finais de semana eu já aprendi a aceitar a separação e convivo com a saudade, mas suas férias são como agulhas que dia-a-dia me envenenam e me fazem morrer. Me fazem morrer de novo.

Sei que você não pode me ver, nem mesmo me sentir. Não pode sentir o meu amor por você, não percebe o desespero que a tua falta me causa e a alegria imensurável que surge em meu peito ao te ver pela manhã entrando pelo pátio da escola.

Quantas vezes tentei te ajudar? Quantas vezes tentei falar de meu amor? Quantas vezes em um ato desesperado gritei e chorei na sua frente, mas meus gritos não chegavam aos seus ouvidos nem minha lagrimas molhavam o papel que você escrevia aqueles malditos advérbios que já me fartavam.

Em todos esses anos você foi a primeira pessoa assim. Com esse sorriso, esse jeito especial. Em todos esses anos você foi o único para mim, enquanto eu simplesmente não existia para você. Não sei se pode imaginar o não existir no mundo de alguém que é o seu próprio mundo. É triste, frio, solitário.

Mas ainda assim me alegro ao te ver pela manhã entrando no pátio da escola.

segunda-feira, agosto 30

Eternidades

Um dia pensamos que seria eterno.
e foi!

Mas as coisas realmente eternas não foram, elas são. Isso é algo complicado, afinal não é nada simples. O simples fato de ser complicado torna confuso a simplicidade do conteúdo complexo.

As ideias são assim.

Elas surgem e nunca se expressam da forma que surgiram, uns dizem que as aperfeiçoaram, mas na realidade elas tiraram a essência dela. Tornaram ela publica e humana.

Ideias são eternas, mas de que tipo de eternidade?
Do tipo que um dia serão eternas passadas, ou sempre serão eternas presentes?

E a essência delas? Como ficam? Expressas e deturpadas, ou puras e escondidas?
Se expressas não seriam originais e então seriam erradas, se escondidas como seguiriam vivas pelas próprias pernas?

Voltamos a uma das primeiras conclusões... é tudo muito complexo e confuso.
Acho que isso é a única coisa realmente eterna, a confusão complexa de coisas que perderam a simplicidade por perderem a essência verdadeira ao se tornarem visíveis a olhos de varias cores.

Aceita um chá?